Elas ficaram amigas na empresa.
Entre um café e outro a mais velha desabafava sobre um cara mala que não saía do seu pé, e que ela sabia que ele só queria marcar pontos, mas ainda assim, uma vez ou outra, ela não conseguia resistir e que depois ela se arrependia por ter que encontrá-lo no dia seguinte. A mais nova ouvia e quase não respondia nada, ficava alí apenas de ouvidos abertos e olhos compreensivos.
E foi em outro café, enquanto a mais velha estava dizendo o quanto despresava o mala e como ela queria que ele largasse do pé dela, que a mais nova interrompeu a sessão terapêutica para pedir um favor. Precisava de uma carona no final de semana para ir a uma festa, que um cara parecia interessado nela e que ela estava interessada nele, e antes que ela dissesse mais nada a mais velha respondeu logo que sim e correu para uma reunião atrasada.
No dia da carona a mais velha chegou na casa da mais nova muito curiosa para saber quem era o interessado, mas a mais nova fez mistério e foi logo dizendo o caminho da festa para a motorista da vez.
Durante o percurso a mais velha cantava músicas antigas enquanto a mais nova dava as instruções, até que a mais nova apontou a casa e a cantoria foi interrompida por uma freada brusca e um olhar de espanto da mais velha, a casa do interessado era a casa do mala.